A Bolívia vive um momento de virada histórica — e preocupante. Após 20 anos de protagonismo da esquerda, o país vê a ascensão da direita como resultado direto de uma implosão interna do Movimento ao Socialismo (MAS), partido que foi símbolo de transformação sob a liderança de Evo Morales.
🔻 O colapso da esquerda: traições e fragmentação O MAS, que já foi sinônimo de estabilidade e inclusão, chegou às eleições de 2025 dividido, enfraquecido e sem liderança clara. Evo Morales, impedido judicialmente de concorrer, foi sabotado por parte da própria esquerda, incluindo o atual presidente Luis Arce, que rompeu com Morales e sequer tentou a reeleição. O resultado? Uma esquerda rachada entre nomes sem força eleitoral e sem unidade estratégica.
🗳️ Sem Evo, sem rumo A ausência de Evo — que transformou a Bolívia em referência mundial ao elevar o país economicamente e politicamente — deixou um vácuo que nenhum nome conseguiu preencher. Andrónico Rodríguez, ex-pupilo de Morales, tentou se lançar como alternativa, mas não passou de um dígito nas pesquisas. Eduardo del Castillo, candidato oficial do governo, foi praticamente ignorado nas urnas.
⚠️ A direita avança, mas com promessas vazias Com a esquerda desintegrada, a direita ocupou o espaço. Rodrigo Paz e Jorge Quiroga, ambos de espectros conservadores, avançaram para o segundo turno. Mas o que oferecem? Um discurso genérico de “estabilidade” e “fim da corrupção”, sem propostas concretas para enfrentar a crise econômica profunda que assola o país — inflação de 25%, escassez de combustíveis e queda nas exportações de gás.
📉 O povo boliviano diante da incerteza A Bolívia, que com Evo ganhou respeito internacional, reduziu a pobreza e fortaleceu sua soberania, agora caminha para um futuro incerto e potencialmente regressivo. A direita promete romper com o modelo estatal que sustentou avanços sociais e econômicos por duas décadas. O risco? Desmonte de políticas públicas, privatizações e aumento da desigualdade.
🗣️ A pergunta que ecoa nas ruas de La Paz e Cochabamba: Foi a direita que venceu — ou foi a esquerda que se autodestruiu?


